Posição do Sindicato sobre o diesel repercute na mídia

O Sindipetro-RS foi às redes e à imprensa rebater o argumento de que falta diesel no Rio Grande do Sul por responsabilidade da Petrobrás. Com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e levantamento do INEEP, o Sindicato mostrou que, entre janeiro e julho de 2026, a Refap produziu 18,24 milhões de barris de diesel, enquanto o consumo gaúcho foi de 15,40 milhões. A produção superou em 18,5% a demanda estadual no período. A posição da entidade repercutiu em veículos como Jornal do Comércio, GZH, Acústica FM, Monitor Mercantil, Agora no Vale, entre outros, que divulgaram informações e posicionamentos do Sindicato sobre a crise no abastecimento.

A presidenta do Sindipetro-RS, Miriam Cabreira, rebateu as declarações do presidente do Sulpetro, que atribuiu a falta de produto no mercado gaúcho à saída de diesel para outros estados. Miriam questionou a tentativa de responsabilizar a Petrobrás por um problema que, segundo ela, foi provocado pelas próprias distribuidoras, ao comercializarem o combustível gaúcho em outros mercados, onde poderiam obter preços maiores. “A cara de pau desses caras é incrível”, afirmou. Para a presidenta, as distribuidoras contribuíram para criar o problema de abastecimento no Estado ao direcionar para fora do RS um produto destinado ao mercado gaúcho, em busca de maior lucratividade.

Miriam também contestou o pedido do agronegócio para que a Petrobrás priorize o abastecimento do Rio Grande do Sul. “Mas a Petrobrás prioriza o abastecimento gaúcho. A Petrobrás prioriza o mercado pelo qual ela é responsável”, declarou. A dirigente reforçou que a Refap atende às cotas previstas para o abastecimento estadual e que é preciso cobrar transparência das distribuidoras sobre os volumes recebidos e os critérios de fornecimento. A repercussão na imprensa amplia o debate sobre o papel dessas empresas e sobre os efeitos da privatização da antiga BR Distribuidora, hoje Vibra Energia.

Para o Sindipetro-RS, os episódios reforçam a importância de retomar o controle público de setores estratégicos da cadeia de petróleo e combustíveis. A privatização da BR Distribuidora retirou do Estado um instrumento importante na distribuição, deixando o mercado mais exposto à lógica da busca pelo lucro. “É por isso que a gente precisa ter a BR Distribuidora”, destacou Miriam. O Sindicato segue denunciando os impactos da privatização e defendendo o abastecimento como uma questão de interesse público, especialmente em um período decisivo para a produção agrícola: Reestatiza, Brasil!