Dirigentes da Federação Única dos Petroleiros (FUP), representantes sindicais e movimentos sociais marcaram presença em Brasília, na tarde desta quarta-feira (15), durante o lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Reestatização das Refinarias, da BR Distribuidora e da Liquigás. A iniciativa reforça a mobilização em torno da reconstrução do Sistema Petrobrás integrado, estratégico e voltado aos interesses do povo brasileiro.
A participação ativa dos representantes petroleiros deu o tom do ato político, realizado no Congresso Nacional, reunindo parlamentares, especialistas do setor energético e representantes da Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energias, comprometidos com a soberania nacional. Para a FUP, a retomada desses ativos é fundamental para que o país recupere instrumentos decisivos de controle sobre preços, abastecimento e desenvolvimento econômico.
Privatizadas nos governos Temer e Bolsonaro, refinarias, a antiga BR Distribuidora e a Liquigás deixaram de cumprir um papel central na política energética nacional. A BR Distribuidora, braço histórico da Petrobrás na distribuição de combustíveis, foi vendida gradualmente entre 2017 e 2021, até a perda do controle acionário pela estatal. Posteriormente, a empresa passou a operar sob o nome de Vibra Energia.
Durante o lançamento da Frente Parlamentar, a diretora da FUP Bárbara Bezerra destacou os impactos concretos das privatizações para a população brasileira. “Em 2019, a BR Distribuidora foi vendida para um grupo, e esse grupo ganhou o direito de continuar usando a marca Petrobras. Não existe hoje nenhum posto de gasolina da Petrobrás, apesar de eles estarem usando o nome da Petrobrás comercialmente”, afirmou.
Bárbara também denunciou os efeitos da venda da Liquigás sobre o preço do gás de cozinha e o peso imposto às famílias trabalhadoras. “Em 2020, foi vendida a Liquigás, e nós vemos o preço do botijão de gás disparar com lucros exacerbados. Inclusive o botijão sai da distribuição a R$ 37 e chega ao consumidor, à família brasileira, em R$ 155”, ressaltou.
Ela lembrou ainda que a privatização de refinarias agravou a vulnerabilidade do país diante de crises internacionais. “Com o advento da guerra, nós sempre avisamos, sempre fomos contra. Privatizar faz muito mal ao Brasil. Nas refinarias privatizadas, os aumentos chegaram a 88%. Nós precisamos de uma Petrobras forte, integrada, do poço ao posto, que atenda aos anseios do povo brasileiro. Soberania energética também é dignidade, por isso essa frente é tão importante”, declarou.
A professora Claudir Mata representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) na Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia (POCAE), relatou que a Plataforma é composta por várias categorias no Brasil que já lutam por uma transição energética justa e sustentável e afirmou ter certeza que a privatização de parte da Eletrobras impactou negativamente na vida de todos os cidadãos. “Também precisamos da reestatização da Eletrobras.”
Representando o Movimento dos Atingidos por Barragens, Dalila Calisto ressaltou que a conjuntura internacional evidencia a disputa geopolítica pelo petróleo e pelos bens naturais, com impactos diretos sobre a classe trabalhadora brasileira. Segundo ela, o povo já sente no cotidiano os efeitos das privatizações e do desmonte da Petrobrás, por meio da alta dos combustíveis e do encarecimento da cesta básica. Dalila defendeu que a luta pela reestatização da Petrobrás está diretamente vinculada à soberania nacional e à defesa da água e da energia como direitos do povo.
Para a dirigente, setores estratégicos precisam estar sob controle estatal e popular, com participação direta de trabalhadores e comunidades nas decisões. Ela reafirmou o apoio do MAB à mobilização por uma Petrobrás 100% pública, com refino nacional, preços justos e soberania energética, defendendo a unidade entre operários, camponeses, povos indígenas, estudantes, petroleiros, eletricitários e movimentos populares em defesa do patrimônio brasileiro.
No Congresso, o deputado federal Pedro Uczai, líder do governo na Câmara e um dos articuladores da Frente Parlamentar, defendeu que os combustíveis sejam tratados como tema estratégico para o país. Segundo o parlamentar, é preciso “garantir que o combustível seja tratado como interesse nacional e não como mercadoria sujeita à especulação do mercado”.
Para a FUP, a criação da Frente Parlamentar representa mais um passo na disputa por um projeto energético soberano, com preços justos e fortalecimento da Petrobrás pública e integrada. A presença permanente da categoria petroleira no Congresso reafirma o compromisso histórico da FUP com a defesa da Petrobrás, da soberania nacional e dos direitos do povo brasileiro.
Além do lançamento da Frente, os diretores da Federação também participaram de audiência pública na Câmara dos Deputados, convocada pela Comissão de Finanças e Tributação, para debater os preços dos combustíveis diante da escalada da crise no Oriente Médio.
FUP