Petroleiros da Refap realizam ato em solidariedade aos trabalhadores da Replan e denunciam práticas antissindicais

A manhã gelada desta terça-feira (7) foi marcada por um ato de solidariedade e defesa da liberdade sindical em frente à Refap, em Canoas. Atendendo à convocação da FUP e de seus sindicatos, petroleiros e petroleiras se reuniram para manifestar apoio aos trabalhadores contratados da Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, vítimas de graves episódios de violência durante a greve da construção e montagem. Pelo menos três trabalhadores ficaram feridos após ataques atribuídos a pessoas ligadas às empresas contratadas, sendo que um deles corre o risco de perder a visão de um dos olhos. Além de prestar solidariedade, a mobilização denunciou práticas antissindicais e cobrou da Petrobrás uma atuação mais firme diante das empresas prestadoras de serviço que operam em suas unidades.

Há anos a FUP denuncia intimidações, perseguições e violência contra trabalhadores contratados em diferentes unidades do Sistema Petrobrás. Na própria Refap, durante a greve da parada de manutenção, em 2023, foram denunciadas situações envolvendo seguranças armados dentro dos ônibus das empresas contratadas para intimidar os grevistas. Para a presidenta do Sindipetro-RS, Miriam Cabreira, o que ocorreu em Paulínia representa uma escalada inaceitável da violência contra a organização sindical. “É inadmissível que dirigentes sindicais sejam emboscados e trabalhadores sejam espancados por lutarem por direitos. Um deles pode perder a visão de um olho. Isso ultrapassa qualquer limite das relações de trabalho”, afirmou.

Miriam também responsabilizou a Petrobrás pela garantia de um ambiente de trabalho seguro. “A Petrobrás não pode lavar as mãos dizendo que a responsabilidade é das empresas contratadas. Tudo o que acontece dentro das suas unidades também é responsabilidade da companhia. Foi isso que cobramos na Refap em 2023 e seguimos cobrando agora na Replan.” A dirigente lembrou que os trabalhadores contratados são os mais vulneráveis diante dessas situações. “Muitos perguntam por que eles não estão aqui hoje. Justamente porque são os que mais sofrem com a pressão e as ameaças. Demonstrar solidariedade é fundamental para que saibam que não estão sozinhos.” Ela também relacionou a precarização dos contratos à campanha Reestatiza, Brasil!, defendendo que o fortalecimento de uma Petrobrás pública e integrada é essencial para combater esse tipo de prática.

O diretor do Sindipetro-RS Anderson Medeiros destacou que o ato buscou reforçar a unidade entre todos os trabalhadores do Sistema Petrobrás. “Eles trabalham lado a lado conosco todos os dias, produzem os mesmos combustíveis e fazem parte da mesma categoria. Não existe diferença entre quem é concursado e quem é contratado por uma prestadora de serviços. É um absurdo que trabalhadores sejam agredidos simplesmente por exercerem o direito de greve. Precisamos transformar essa indignação em solidariedade e luta.”

Na mesma linha, o diretor Edson Terterola alertou para o avanço de práticas autoritárias nas relações de trabalho. “A violência contra trabalhadores e contra a organização sindical precisa ser enfrentada antes que se torne algo natural. Não podemos aceitar perseguições, favorecimentos ou qualquer mecanismo que impeça os trabalhadores de reivindicar seus direitos. Atos como este mostram que não vamos permitir que esse tipo de prática se espalhe pelo país.”

Representando os trabalhadores contratados, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita (STIMMMEC), Paulo Chitolina, agradeceu o apoio da categoria petroleira e lembrou que a luta por melhores condições de trabalho na Refap já dura anos. Segundo ele, a greve da parada de manutenção de 2023 abriu caminho para importantes conquistas, como a construção do Acordo Nacional dos Paradeiros, negociações salariais permanentes e um processo de equiparação salarial para trabalhadores da empresa Estrutural. Ainda assim, persistem profundas desigualdades entre refinarias. “Na Replan os trabalhadores conquistaram uma PLR muito superior à paga aqui. A fonte pagadora é a mesma, a Petrobrás. Não faz sentido existirem contratos tão diferentes para quem realiza o mesmo trabalho. A Petrobrás precisa assumir esse debate e garantir condições dignas para todos os prestadores de serviço.”

Também presente na mobilização, o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Porto Alegre (STICC), Jean Santana, afirmou que a violência registrada na Replan repete situações já vividas na Refap. “Já vimos seguranças armados dentro dos ônibus para intimidar trabalhadores e empresas tentando impedir o exercício de um direito constitucional. Enquanto isso, a Petrobrás permanece em silêncio. Quem paga essa conta é o trabalhador, que fica sem salário, sem verbas rescisórias e ainda precisa lutar para garantir direitos básicos. Precisamos de mecanismos mais eficazes para proteger quem constrói e mantém essas refinarias funcionando.”

Ao final da mobilização, as entidades reafirmaram que o Dia Nacional de Luta representa um posicionamento em defesa da liberdade sindical, da democracia nas relações de trabalho e da valorização dos trabalhadores contratados. Para a FUP e seus sindicatos, os episódios de violência registrados na Replan reforçam a necessidade de que a Petrobrás exerça seu papel fiscalizador sobre as empresas contratadas, garantindo que nenhuma violação de direitos ocorra dentro de suas unidades.