Nem os 3°C registrados na manhã dessa sexta-feira (26) impediram que trabalhadores e trabalhadoras se reunissem em frente à Refap, em Canoas, para participar do Dia Nacional de Mobilização do Refino. O ato marcou o encerramento do calendário de lutas aprovado pela categoria nas assembleias e teve como principais eixos a cobrança pelo cumprimento dos compromissos assumidos pela Petrobrás no encerramento da greve de 2025 e o fortalecimento da campanha nacional Reestatiza Brasil!, lançada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Durante a mobilização, dirigentes sindicais denunciaram o atraso da Petrobrás em dar encaminhamento às pautas negociadas com os trabalhadores. Entre elas estão o prosseguimento das negociações do novo Plano de Cargos e Salários, com a apresentação da proposta prevista no Acordo Coletivo de Trabalho, a definição das regras das próximas Participações nos Lucros e Resultados (PLRs) e a apresentação, no Tribunal de Contas da União (TCU), de uma proposta econômica para viabilizar a solução dos equacionamentos da Petros. Para a diretora do Sindipetro-RS e da FUP, Nalva Faleiro, a empresa precisa cumprir os compromissos assumidos ao encerrar a greve. “São reivindicações estruturantes para o presente e o futuro da categoria. A demora da empresa aumenta a insatisfação dos trabalhadores, que aguardam o cumprimento dos prazos e um cronograma concreto para essas negociações”, afirmou.
O diretor do Sindipetro-RS, Edison Terterola, também cobrou respeito aos acordos firmados. Segundo ele, além das negociações sobre o plano de cargos e da solução para os participantes da Petros, a empresa precisa cumprir o que foi pactuado em relação ao PHT de parada, conquista obtida no último Acordo Coletivo. “A Petrobrás precisa honrar os compromissos que assumiu com os trabalhadores. Acordo assinado é acordo para ser cumprido”, resumiu.
A mobilização também reforçou a campanha Reestatiza Brasil!, iniciativa da FUP, de sindicatos e de movimentos sociais em defesa da reconstrução do Sistema Petrobrás. A campanha reivindica a retomada dos ativos estratégicos privatizados nos governos Temer e Bolsonaro, entre eles refinarias, distribuidoras e empresas fundamentais para a integração do sistema petrolífero nacional. Durante o ato, foram distribuídas camisetas da campanha e reafirmado o compromisso da categoria com uma Petrobrás pública, integrada e indutora do desenvolvimento nacional.
Para o diretor do Sindipetro-RS Anderson Medeiros, recuperar o controle estatal sobre a Petrobrás significa fortalecer toda a cadeia produtiva do país. “Uma empresa do porte da Petrobrás impulsiona a indústria, gera empregos, desenvolve tecnologia e contribui diretamente para o crescimento econômico e social. Defender a reestatização é defender um projeto de desenvolvimento para o Brasil”, destacou.
A mobilização contou ainda com o apoio de parlamentares, dirigentes sindicais e representantes de movimentos sociais. Estiveram presentes o deputado federal Elvino Bohn Gass (PT), os deputados estaduais Sofia Cavedon (PT) e Miguel Rossetto (PT), além dos vereadores Gabriel Constantino (Canoas) e Kelvin Penedo (Dois Irmãos). Também participaram representantes do MAB, MTD, Levante Popular, Sindipolo, Sitramico, Sindimotos e outras entidades.
Em suas manifestações, as lideranças políticas reforçaram que a defesa da Petrobrás está diretamente ligada à soberania nacional. Sofia Cavedon destacou que o momento exige avançar na reconstrução da empresa, recuperando os ativos privatizados para fortalecer o desenvolvimento do país. Já Miguel Rossetto afirmou que a reestatização é parte de um projeto estratégico para garantir autonomia energética e capacidade de investimento público. O deputado federal Elvino Bohn Gass lembrou que a venda de refinarias e outros ativos interrompeu o avanço do refino nacional e enfraqueceu um dos setores mais estratégicos da economia brasileira. Para ele, recuperar essas empresas é um passo fundamental para garantir segurança energética, desenvolvimento industrial e preços mais justos para a população.
