*Artigo da presidenta do Sindipetro-RS, Miriam Cabreira, publicado no jornal Zero Hora, do dia 27 de abril de 2026
A alta do diesel e o temor de desabastecimento no Rio Grande do Sul não decorrem apenas do preço internacional do petróleo, ligado às tensões entre EUA, Israel e Irā, mas sobretudo de limitações estruturais no refino e na distribuição no Brasil. O quadro evidencia a necessidade de uma estratégia energética que garanta abastecimento, estabilidade de preços e soberania em um cenário adverso. Nesse contexto, fortalecer a Petrobras, ampliando o refino e recompondo sua atuação na distribuição, mostra-se essencial.
Entre 2016 e 2022, a privatização de refinarias e da BR Distribuidora reduziu a capacidade de processamento da Petrobras e retirou a companhia da distribuição. Como resultado, enfraqueceu-se a coordenação estatal, sobretudo via Petrobras, sobre a oferta de derivados e a formação de preços, ampliando a exposição do mercado interno à volatilidade externa e às estratégias dos agentes privados.
O caso gaúcho ilustra esse cenário. A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), do sistema Petrobras, produziu em 2025 cerca de 163,9 mil barris/dia, frente a um consumo estadual de 160,3 mil b/d. No diesel, houve superávit: 78,5 mil b/d produzidos ante 71 mil b/d consumidos. Ainda assim, o preço ao consumidor subiu de R$ 6,15 o litro (22/2) para R$ 7,52 (22/3), alta de R$ 1,37 por litro, superior ao reajuste da Petrobras (R$ 0,38) e incompatível com medidas de alívio tributário e subsídio, sugerindo ampliação de margens na distribuição e na revenda. Paralelamente, municípios sinalizaram dificuldades de abastecimento que, segundo a ANP, decorrem de entraves logísticos, e não de falta de combustível.
A menor coordenação estatal na distribuição tem favorecido abusos
No curto prazo, é essencial que órgãos fiscalizadores coíbam aumentos abusivos e retenção de estoques. Estruturalmente, a menor coordenação estatal na distribuição tem favorecido abusos das distribuidoras e risco de desabastecimento. Nesse contexto, recompor o papel da Petrobras na distribuição, junto à ampliação do refino, é fundamental para assegurar abastecimento, segurança energética e soberania nacional.
Zero Hora 27042026 (1)