Benzeno: prevenção e controle da exposição ocupacional

Desde 1982, o benzeno, um hidrocarboneto aromático amplamente utilizado em diversos processos industriais, é reconhecido como carcinogênico, especialmente por sua associação com a ocorrência de leucemia, pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, 2009).

No Brasil, mais de 7 milhões de trabalhadores desenvolviam atividades nas quais poderiam estar expostos ao benzeno. A prevalência da exposição ocupacional era mais elevada em comparação com outros países que haviam adotado medidas mais efetivas de controle dos riscos químicos. Da mesma forma, a mortalidade por leucemia entre trabalhadores expostos foi duas vezes maior do que entre os demais trabalhadores, segundo estudos de Moura-Correa (2014).

Como não existe um nível de exposição ao benzeno considerado seguro, é necessário reduzir a exposição ocupacional ao menor nível tecnicamente possível. Diante desse grave problema de saúde, organismos internacionais, especialistas e lideranças sindicais no Brasil defendem que as mudanças normativas em curso adotem medidas mais rigorosas de prevenção e controle. Entre as propostas estão a adoção da recomendação da ACGIH, de 2024, para redução do Valor Limite de Exposição (TLV) ao benzeno de 0,5 ppm para 0,02 ppm; a manutenção do conceito de Valor de Referência Tecnológico (VRT); o fortalecimento da vigilância nos ambientes de trabalho; e a retomada da participação dos trabalhadores nas Comissões Estaduais e Nacional do Benzeno.

Juliana Correa
Assessora técnica da bancada dos trabalhadores na CNTT