Na Assembleia da ALBA Movimentos, petroleiros defendem transição energética sob controle dos povos

A soberania dos povos, a integração latino-americana e os desafios da classe trabalhadora diante das transformações econômicas e políticas em curso estiveram no centro da 4ª Assembleia da ALBA Movimentos, realizada em Cuba. O encontro reuniu representantes de organizações e movimentos sociais de 27 países da América Latina e do Caribe para discutir caminhos de resistência, cooperação e construção de alternativas para a região.

Representando o Sindipetro-RS e a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a diretora Nalva Faleiro participou dos debates que trataram de temas como soberania energética e alimentar, integração regional, enfrentamento ao imperialismo e à extrema direita e defesa dos direitos dos trabalhadores.

Em meio a essas discussões, a transição energética ganhou espaço como um dos principais campos de disputa para o futuro. A mudança das matrizes de energia envolve investimentos, novas tecnologias e diferentes interesses econômicos, mas também coloca uma questão fundamental: quem terá controle sobre os recursos estratégicos e quem será beneficiado por essa transformação?

Para os trabalhadores do setor de petróleo e energia, essa discussão não pode ser reduzida à substituição de uma fonte energética por outra. Ela envolve decisões sobre desenvolvimento, empregos, controle dos recursos naturais e participação social. É a partir dessa perspectiva que Nalva levou ao encerramento da Assembleia a defesa de uma transição que, além de ambientalmente necessária, seja também socialmente justa e preserve a capacidade dos países de decidir sobre suas próprias riquezas.

No domingo (10), durante o encerramento da Assembleia, no Hotel Nacional de Cuba, os participantes se reuniram para analisar o documento final de resoluções. Depois da leitura do texto, representantes das organizações puderam apresentar destaques e contribuições. Foi nesse momento que Nalva fez sua intervenção sobre a transição energética. Em sua fala, a diretora alertou que o capital já identificou nesse processo uma nova frente de negócios e, por isso, os trabalhadores e os povos também precisam disputar seus rumos.

“Mais do que discutir uma formação em transição energética, precisamos fazer a defesa de uma transição energética soberana e justa, que garanta os trabalhadores e trabalhadoras e preserve a soberania energética de cada povo. E ela também precisa ser popular, porque as comunidades têm que ter protagonismo nesse processo”, afirmou.

A diretora destacou que a disputa não se limita às novas tecnologias ou às fontes de energia que serão utilizadas. Ela envolve, sobretudo, o controle sobre os recursos e os benefícios econômicos gerados por essa transformação. Historicamente explorado por grandes corporações, o Sul Global corre o risco de repetir essa lógica justamente em um novo ciclo de desenvolvimento energético.

“O capital já percebeu o potencial de acumulação da transição energética e está disputando esse espaço. Por isso, também precisamos disputar seus rumos. Quem vai ficar com os recursos do Sul Global? Eles serão novamente apropriados pelas grandes corporações ou vamos construir um modelo em que essa riqueza se transforme em desenvolvimento para os nossos povos?”, questionou Nalva.

A participação da diretora do Sindipetro-RS na Assembleia reforça a atuação da categoria petroleira em um debate que ultrapassa os limites do setor. Em um cenário de profundas mudanças na área de energia, discutir a transição também significa discutir soberania, desenvolvimento e o destino das riquezas.