Aug 10, 2022

Com 300 municípios em situação de emergência no RS, agricultores exigem ações contra estiagem

 

A estiagem se alastrou no Rio Grande do Sul, diante da falta de chuvas e do calorão de janeiro. Em uma semana, o número de municípios gaúchos que decretaram situação de emergência por conta da estiagem disparou, passando de 200 para 300, de acordo com a Defesa Civil do Estado. Isso representa mais de 60% do total de municípios, sendo que outros 14 já relataram danos em razão da seca, mas ainda não fizeram o decreto. 

A partir da situação de emergência, as prefeituras estão autorizadas a buscarem ajuda aos governos estadual e federal para minimizarem os efeitos da estiagem para a população, a agricultura e a pecuária.

Entre os dispositivos previstos estão a dispensa de licitação para a compra de bens ou a contratação de obras e serviços destinados a atender as comunidades afetadas, bem como a renegociação de créditos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).

Aumentam focos de incêndios

A secretária-geral adjunta da CUT-RS e diretora da Fetraf-RS, Cleonice Back, alerta que vem aumentando o número de queimadas nas plantações por causa da estiagem.

“Em Boa Vista do Buricá, os agricultores encontram dificuldades para controlar os focos de incêndio, que colocam em risco as casas das pessoas. Quase todas as plantações, árvores e matas estão ficando secas, não tem mais quase nada de verde, qualquer fogo pode resultar em destruição total”, ressalta Cleonice.

Mobilização para cobrar ações emergenciais dos governos

O coordenador-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-RS). Douglas Cenci, afirma que os sindicatos filiados estão promovendo reuniões e audiências públicas até o final do mês para dialogar com as comunidades sobre a pauta de reivindicações apresentadas no último dia 10 pelas entidades representativas do campo ao governador Eduardo Leite (PSDB), durante reunião no Palácio Piratini.

 

O governador se comprometeu com demandas como a anistia dos programas troca-troca de sementes de milho, a liberação imediata dos recursos do Programa Avançar Desenvolvimento Rural e a criação de um comitê para tratar da estiagem.  Os agricultores aguardam respostas para as demais medidas emergenciais propostas.

Pauta ao governo estadual

1. Edição de decreto de situação de emergência para o Estado do RS por conta da estiagem;

2. Instalação do Comitê Estadual da Estiagem com participação de secretarias e órgãos do governo, Assembleia Legislativa, Organizações e Movimentos Populares do Campo;

3. Liberação de um auxílio emergencial no valor de R$ 3 mil por família de agricultores familiares.

4. Anistia dos valores devidos do Troca-troca de sementes de milho (safra e safrinha), das forrageiras de inverno e de verão e safrinha;

5. Operacionalizar imediatamente os R$23 milhões do BNDES a fundo perdido, referente ao Plano Camponês.

6. Agilizar a aprovação do Crédito Emergencial Rural, por meio do PL 115/2021;

7. Retomar uma política consistente e permanente de armazenamento, irrigação e de abastecimento de água, com os seguintes itens:

a. Construção de 10 mil cisternas;

b. Construção de 2 mil poços artesianos;

c. Construção de 15 mil açudes;

d. Distribuição de 10 mil Kits de Irrigação;

8. Agilizar a liberação do Programa de Sementes Forrageiras de inverno; 9. Agilizar junto a Emater as vistorias do Proagro;

9. Agilizar junto a Emater as vistorias do Proagro.

Fonte: CUT-RS com Fetraf-RS

Facebook