Aug 18, 2022

Agora que os rentistas e agiotas levaram uma segunda surra com o abaixamento das tarifas de energia elétrica (a primeira foi a queda dos juros e a ampliação vantajosa de créditos populares) é preciso que o movimento sindical extraia algumas lições deste confronto entre o produtivismo e o parasitismo financeiro.

 

A primeira lição é a de, sempre, saber identificar seus interesses estratégicos, principalmente o interesse de milhões de trabalhadores e se guiar, sempre, por eles.

A segunda lição é não cair nas armadilhas dos agiotas que, como atletas do caos, procuram disfarçar seus interesses egoístas com posições demagógicas, histéricas denúncias e anúncios de futuras catástrofes.

A terceira lição é saber ler a própria grande imprensa, tirando dela a informação pertinente e desprezando o lixo ideológico ou desinformante.

Impressionou-me o depoimento do diretor de infraestrutura da Fiesp, Carlos Cavalcanti, que disse para o portal Terra, criticando a política dos dirigentes paulistas do setor de energia: “ 40% da Cesp é do estado de São Paulo; 60% da Cesp sabe de quem é? Do HSBC, Bank of London, UBS, União de Bancos Suiços das agências de Londres, do Credit Suisse, que é um conglomerado de bancos suíços; e 51% das ações preferenciais da Cesp estão na jogatina da bolsa de valores”.

Estão aí identificados (embora não nos jornalões) os interesses dos rentistas que pouco se preocupam com os interesses da população e, portanto, dos trabalhadores e da indústria paulista.

Restaria agora, para se compreender o âmago das motivações de alguns jornalistas e comentaristas econômicos – que amplificaram o terrorismo – listar, assim como foram listados os bancos da Cesp, as carteiras de aplicações financeiras desses profissionais da desinformação em causa (perdida) própria, que não é a mesma da multidão dos seus leitores.

João Guilherme Vargas Netto*

(*) Membro do corpo técnico do Diap, é consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo

Texto extraído do Site Diap

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