Aug 10, 2022

1º de Maio: Dia Internacional do Trabalhador, dia de luta e resistência!

i_postagem463-1pCriado em 1889 por um congresso da Internacional Socialista realizado em Paris, o Dia Internacional do Trabalhador relembra a greve geral que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.
A luta era contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias.
Hoje, a data é celebrada em todo o mundo, menos no país onde sucederam os acontecimentos que a inspiraram, os EUA. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.

Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de Maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalhador.
O 1º de maio no Brasil
Piquetes e passeatas, gritos de protesto, luta por condições dignas de trabalho e melhores direitos. Este era o cenário do Dia do Trabalhador no Brasil – hoje comemorado erroneamente como Dia do Trabalho – antes da Era Vargas (1930-1945), período em que Getúlio Vargas causou um profundo refluxo no movimento sindical com o atrelamento dos sindicatos ao Estado. Atrelamento realizado por meio de medidas clientelistas como o imposto sindical, em vigor até hoje, e repressivas como a Lei de Segurança Nacional, que fechou sindicatos autônomos e seus líderes.
Hoje, as principais centrais de trabalhadores do País não fazem muito para mudar este cenário e resgatar o espírito de luta do 1º de maio. Em todo mundo, a data serve para impulsionar lutas e relembrar a luta dos operários de Chicago (EUA) que morreram para defender a jornada de 8 horas diárias.
No Brasil, é comemorada por entidades como CUT e Força Sindical com festas milionárias, marcadas por sorteios de casas e carros, além de shows com artistas consagrados. E o pior: financiadas por empresas estatais e privadas, com recursos muitas vezes obtidos através da exploração e precarização dos trabalhadores.
Enquanto isso, os trabalhadores pagam o preço pela venda de direitos conduzida por esta burocracia sindical. No maior movimento de trabalhadores das últimas décadas, nas obras do PAC em Jirau, Rondônia, as entidades responsáveis por realizar festas bancadas pela patronal divulgaram em matérias auto-elogiosas as “negociações bem-sucedidas” com a Camargo Corrêa. Entretanto, a mesma repercussão não foi dada quando, horas após o acordo, o consórcio anunciou a demissão de quatro mil operários.
O 1º de maio não deve ser usado como plataforma política, mas como um instrumento de protesto contra os ataques aos trabalhadores. Episódios absurdos como o reajuste dos salários dos parlamentares, o ridículo aumento do salário mínimo e as ameaças como o aumento da idade mínima para aposentadoria e redução da contribuição da patronal para o INSS devem ser denunciadas diariamente pelos dirigentes que conduzem o movimento sindical brasileiro. E isto não acontecerá enquanto essas entidades exercerem o papel de porta-vozes dos interesses dos patrões e do Governo.

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