Nov 22, 2017

Em Congresso, petroleiros e petroleiras do RS reafirmam que a luta é por NENHUM DIREITO A MENOS

Nesse sábado, 08 de julho, aconteceu o XXXII Congresso Estadual dos Petroleiros e Petroleiras do RS. No plenário da sede do Sindicato, a categoria deu início aos trabalhos no começo da manhã com a formação da Mesa Coordenadora e a leitura e aprovação do Regimento Interno. Participaram da mesa de abertura  os companheiros Lautert, Cadore e a companheira Miriam, que presidiu a mesa.

Na sequência, os delegados e delegadas debateram sobre a importância da participação da categoria e a inserção dela dentro do sindicato. Para o presidente Fernando Maia, a mídia brasileira vem reforçando diariamente  ataque as estatais e a categoria petroleira:  "acontece um processo de desmoralização da Petrobrás, a mídia vem afirmando que a Petrobrás é uma empresa corrupta. Temos que reagir a isso. Temos uma turma mais jovem com um foco de resistência, mas mesmo essa turma não está vindo para dentro da entidade".  Na opinião do dirigente Terterola, " a categoria reflete o que está acontecendo na sociedade, ela esta sendo anestesiada pelos meios de comunicação e algumas vezes correntes religiosas". Ainda nos debates, o companheiro Eray Martins falou dos ataques nos programas de rádio " Todos os dias um programa rádio de grande audiência do RS mete pau no Sindicato, e nos trabalhadores da Petrobrás. É necessário uma reação da categoria e melhorar essa participação". Para a presidenta da mesa, Miriam, "as pessoas só se mexem quando percebem que o problema ou esta na iminência ou já aconteceu. Só quando a necessidade bate, as coisas acontecem", enfatizou.

Painel de Conjuntura

O painel de conjuntura debateu a Operação Lava Jato e a destruição da Petrobrás. No primeiro momento, o economista, pesquisador do Centro Celso Furtado e membro do GEEP (Grupo de Estudos Estratégicos de Propostas para o setor de óleo e gás da FUP); Rodrigo Pimentel, realizou a palestra Lava Jato, Petrobrás e desinvestimentos: uma interpretação.

Rodrigo falou sobre o que vem acontecendo com a Petrobrás e consequentemente com país, desde 2014 pra cá, exemplificando as mudanças na economia internacional somado aos ajustes fiscal,  e a relação com a Operação Lava-Jato com a queda no consumo das famílias: "a Lava Jato tem o objetivo de destruir a estrutura remanescente, que poderia alavancar a economia brasileira. Só a empresa Odebrecht  reduziu  90 mil empregados nesse período.

O economista contestou o discurso da Operação Lava Jato e vendido pela grande mídia, de que a corrupção destruiu a Petrobrás: "essa operação criminaliza a forma de se pensar política pública no Brasil. Ela de algum modo conecta isso junto a desmoralização da empresa. Pedro Parente em seu primeiro discurso  usa a frase "acabou a bandalheira na empresa". Ele não separa, ele coloca todo mundo no mesmo grupo, corruptos e trabalhadores.  Além disso, nesse período quem ele está à frente da Petrobrás,  ele reafirma o discurso de parcerias, o que nada mais é do que vender ativos.  Parente usa o discurso de corrupção e dívidas da empresa para  vender a Petrobrás. O GEEP vem desconstruindo esse argumento.  Faz um mês a Petrobrás foi à Europa captar recursos e conseguiu quatro vezes mais.  Ou seja, porque tem que vender ativos se poderiam ser explorados outros métodos? Quais são os interesses por trás desse processo? O primeiro, que é um interesse histórico, é a pressão do mercado para privatizar a Petrobrás. E o setor midiático corrobora para isso. O segundo, a atuação do governo e da gestão da Petrobrás:  o governo federal quer atrair investimento estrangeiro no setor de petróleo. O sonho de qualquer empresário é ter o monopólio e contraditório a isso, o que Pedro Parente faz é oferecer o espaço dele para outros empresários. O que está por trás disso é que Parente foi presidente de uma empresa chamada Bunge, e uma das empresas de agronegócio e alimentos do Brasil,  pulou dessa para a Petrobrás. Logo a Petrobrás anuncia que a empresa vai sair da Bio Combustivel. Além do, estranhamento a Petrobrás tem sucateado setor de refino. E por fim a relação, com Joesley/JBS e o gás. O terceiro elemento o setor internacional, a geopolítica do petróleo. Isso pela ascensão do gás de xisto e redução do preço do petróleo.

Debates entre os amigo

Para Rodrigo, as operadoras estrangeiras querem o pre-sal por conta da redução de custo e extração, melhor qualidade do petróleo, redução do exploratório.  Parente desintegra a Petrobrás e abre espaço para a Total entrar no Brasil, a Total tem interesse na RLAM.A mídia não faz uma matéria critica questionando a administração Petrobrás. Por isso, quando tiver uma chance de falar da Petrobrás e da operação Lava Jato, façam, mostrem o que a grande mídia não mostra, fomentem esse debate com a sociedade.

Outro convidado para compor o Painel de Conjuntura, foi  o economista, professor de ciências políticas na Escola de Sociologia e Política de São Paulo e membro do GEEP, William Nozaki, que apresentou a palestra Operação Lava Jato: impactos na economia e na Petrobrás

Desvendado os mitos

William durante a sua explanação foi desvendando alguns mitos sustentados pela grande mídia e boa parte da sociedade. O primeiro deles foi a Corrupção e a Petrobrás: isso não é um problema endêmico da Petrobrás. O setor de minério e extração é um setor que concentra os casos mais expressivos da corrupção. Isso porque os contratos são mais volumosos e com maior investimento. A corrupção se resolve com mais investimentos em mecanismos de governança e compliance.

o Segundo mito apresentado pelo economista foi o combate à corrupção com o estado mínimo:"Temer e  Pedro Parente gostam de dizer que para combater a corrupção precisa ter o estado mínimo. A corrupção na se combate assim. Países sedes de grandes petrolíferas e que são bem colocados no ranking  de transparência internacional e do fórum econômico mundial são aqueles que têm mais níveis de investimento, gasto público e divida/PIB. A corrupção se minimiza com o aperfeiçoamento do gasto público e a avanço do investimento".

O terceiro mito: a corrupção se previne com redução de investimento. "Ora, empresas como  Statoil e a Shell passaram por problemas de corrupção na Líbia e Nigéria. No entanto, em nenhuma delas a redução de investimentos foi utilizada como justificativa para o combate a corrupção. A corrupção não se previne com redução de investimentos, mas sim com ampliação e qualificação dos investimentos. Em três anos a Petrobrás perdeu 20 vezes mais com imperments do que com corrupção. A crise na Petrobrás é uma ideia criada sistematicamente que vem servindo para justificação da venda dos ativos".

Lava -jato na economia

William falou que a diferente do que é feito em outros países,  quando as operações são de combate a corrupção, aqui a operação Lava-jato prejudica as empresas e os trabalhadores e não os corruptores.  "O problema da corrupção precisa ser enfrentado, mas do jeito certo, com diagnósticos corretos, sem arrebentar com o impacto produtivo nacional", disse.

Números da Lava-Jato

A operação é responsável por um impacto negativo de 2,5% no PIB, em 2015 e 2016.

Redução do equivalente a 2% do PIB em investimentos da Petrobrás  em 2015.

Estimativa de queda de arrecadação de impostos e perda de mais 90 milhões de obras paradas no país. O impacto tem sido devastador nessa operação. Nos postos de trabalho cerca de 3 milhões de direto ou indireto até 2016. Foram quase 300 mil vagas no setor da engenharia civil.

Devolução de recursos públicos é quantia irrisória.

A institucionalização do roubo

William deu uma informação que poucos sabem e que a grande mídia faz questão de não divulgar. "a Operação Lava-Jato transformou a deleção premiada numa rotina, em regras. Além da redução de pena dos delatores, existe um outro prêmio. Cada delator quando organiza o Acordo com o MP ele negocia uma porcentagem do recurso que vai ficar com ele, isso se chama Clausula de Performance. Ou seja,  é uma legalização do roubo. A regra da delação premiada  premia quem roubou mais. O exemplo disso foi Pedro Barusco, que devolveu R$ 300 milhões e recebeu 6 milhões desse dinheiro que roubou, em troca da delação.

"Tudo isso que esta acontecendo tem o pretexto para destruir toda a cadeia nacional. Os interesses internacionais e financeiros estão sendo representados dentro da empresa. Um exemplo disso, é que dos oito diretores da Petrobrás, pelo menos 3 tem relação pregressa com empresas hoje interessas na privatização. Pedro Parente foi CEO da Bunge e presidente do Conselho Administrativo da BMF/Bovespa, por exemplo. A esposa de Pedro Parente é Lúcia Hauptman, que vem de uma longa trajetória do mundo financeiro e mercado internacional.  Existe uma teia de interesses financeiros que vem de dentro da Petrobrás, que tem sido de uma maneira acelerada e com representação em todos os espaços importantes. "

 

 

 

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